Thiago Prado

Rio de Janeiro/RJ

Poéticas dos Restos

A nossa civilização pode parecer para muitos que está ruindo. E talvez até esteja. Mas, em meio ao desperdício e à incerteza, existem muitos vestígios. É justamente deles que Thiago Prado se alimenta. Sua pesquisa visual caminha por um universo que poucos gostam de ver. De fato, muitos simplesmente fingem até que não existe.O artista, que envereda pela pintura, pela fotografia e pelo cinema, traz imagens caracterizadas pelo universo urbano. É como se a civilização deixasse pegadas, das quais ele se apropria em diversos processos de composição. Instaura

assim um retrato caracterizado por pichações, marcas nas paredes e um todo pleno de interrogações para quem olha.

As obras que surgem desse processo são muito mais um consciente e inconsciente aglomerado de perguntas do que uma proposta de respostas. Sua arte faz emergir o desprezado e esquecido. O submundo se torna o protagonista e ver isso pode ser, para alguns, desagradável. Mas esse retrato que é mostrado do mundo nos faz pensar sobre os seus próximos passos.

Os restos a que Thiago Prado dá vida são mais do que registros. Podem ser vistos como proposições de construção e reconstrução, pois a ordem interna que deles emana surge de algo aparentemente caótico. Mas é nessa parente desordem que surge o momento de inpira-ação de uma nova reordenação. É da beleza dos restos que o todo pode se rearticular.

 

Oscar D’Ambrosio

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